A artrite reativa consiste em uma sinovite asséptica inflamatória e aguda que se desenvolve como uma resposta imunomediada tardia a uma infecção prévia, habitualmente localizada nos tratos gastrointestinal (por patógenos como Salmonella, Shigella ou Campylobacter) ou geniturinário (notavelmente pela Chlamydia trachomatis). Clinicamente, apresenta-se com a clássica tríade de Reiter, caracterizada por uma artrite assimétrica e dolorosa que afeta principalmente grandes articulações dos membros inferiores, associada a uretrite ou cervicite não gonocócica e manifestações oculares como conjuntivite ou uveíte anterior. Manifestações cutâneo-mucosas também podem ocorrer, como a ceratodermia blenorrágica e a balanite circinada.
Deve-se realizar o diagnóstico fundamentado principalmente na correlação clínica e no histórico de infecção desencadeante semanas antes do quadro articular, já que as culturas do líquido sinovial são estritamente negativas por se tratar de um processo reativo. A artrocentese com análise do líquido sinovial é útil para excluir artrite séptica ou microcristalina, revelando padrão inflamatório com predomínio de polimorfonucleares. Exames de PCR ou sorologias para os patógenos deflagradores podem ser empregados para apoiar a suspeita diagnóstica.
