A poliomiosite consiste em uma miopatia inflamatória imunomediada sistêmica, caracterizada por inflamação crônica e infiltração linfocitária direta das fibras musculares esqueléticas. Diferente da dermatomiosite, a poliomiosite ocorre de forma isolada, sem o envolvimento de lesões cutâneas típicas como pápulas de Gottron ou heliotropo. Manifesta-se classicamente como fraqueza muscular proximal, simétrica e subaguda das cinturas pélvica e escapular, poupando a musculatura distal nas fases iniciais.
O paciente tipicamente relata grande dificuldade para pentear o cabelo, escovar os dentes, elevar objetos e levantar-se de assentos baixos sem o auxílio dos braços. Deve-se realizar biópsia muscular do músculo acometido para o diagnóstico de certeza e exclusão de diagnósticos diferenciais: o exame histopatológico revela de forma característica um infiltrado inflamatório composto por linfócitos T CD8+ e macrófagos que invadem diretamente fibras musculares não necróticas localizadas no interior do fascículo (padrão endomisial). O laboratório exibe elevação acentuada de CPK sérica e pode apresentar positividade para o anticorpo Anti-Jo1 (marcador associado à Síndrome Anti-sintetase, que cursa com miosite, doença pulmonar intersticial e “mãos de mecânico”).
