A doença de Behçet consiste em uma vasculite sistêmica multiorgânica crônica e recidivante de etiologia indefinida que se destaca pela capacidade singular de acometer vasos de qualquer calibre, tanto do sistema arterial quanto venoso. Clinicamente, sua principal marca são as úlceras orais dolorosas recorrentes (critério essencial para o diagnóstico), frequentemente associadas a úlceras genitais igualmente dolorosas que tendem a cicatrizar deixando marcas permanentes, lesões inflamatórias oculares potencialmente graves (como uveíte anterior com hipópio ou panuveíte com risco de perda visual permanente) e lesões cutâneas como pseudofoliculite, lesões acneiformes e eritema nodoso. A propensão a tromboses venosas profundas recorrentes em locais atípicos e aneurismas de artéria pulmonar também caracterizam a doença.
Deve-se realizar o diagnóstico fundamentado principalmente nos critérios clínicos estabelecidos (Critérios do Grupo Internacional de Estudo para a Doença de Behçet), devido à ausência de marcadores laboratoriais patognomônicos. O teste de patergia, realizado através de uma puntura estéril na pele do antebraço e avaliado após 24 a 48 horas quanto ao surgimento de uma pápula ou pústula inflamatória reacional, apresenta alta especificidade e serve como uma importante ferramenta de apoio diagnóstico.
