A fibromialgia consiste em uma síndrome de dor crônica generalizada de caráter não inflamatório e não articular, cuja fisiopatologia envolve um distúrbio de sensibilização central no processamento de estímulos dolorosos pelo sistema nervoso central, associado à perda de modulação das vias inibitórias descendentes da dor. Clinicamente, caracteriza-se por dor musculoesquelética difusa e persistente por mais de três meses, acompanhada de fadiga crônica persistente, distúrbios do sono (sono não reparador ou fragmentado), rigidez subjetiva generalizada, disfunções cognitivas (como perda de memória e dificuldade de concentração, descritas como “névoa mental” ou fibrofog) e sintomas psicológicos como ansiedade e depressão.
Deve-se realizar o diagnóstico eminentemente clínico, baseado na exclusão de outras patologias inflamatórias, endócrinas ou infecciosas que possam justificar o quadro doloroso. A avaliação fundamenta-se nos critérios diagnósticos do Colégio Americano de Reumatologia (ACR), que mensuram o Índice de Dor Difusa e a Escala de Gravidade dos Sintomas. Exames laboratoriais de triagem, incluindo hemograma completo, provas de atividade inflamatória (como VHS e PCR), hormônios tireoidianos e fatores autoimunes (como FAN e FR), apresentam-se estritamente normais nesta condição.
