A febre reumática consiste em uma doença inflamatória sistêmica e autoimune desencadeada por uma resposta imunológica humoral e celular aberrante (mimetismo molecular) em indivíduos geneticamente suscetíveis, ocorrendo semanas após uma faringoamigdalite não tratada pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A de Lancefield (Streptococcus pyogenes). Clinicamente, manifesta-se por poliartrite migratória e assimétrica que afeta grandes articulações, cardite inflamatória (podendo gerar sopros cardíacos por valvulite mitral ou aórtica aguda, insuficiência cardíaca ou pericardite), nódulos subcutâneos firmes e indolores, eritema marginado e a coreia de Sydenham, caracterizada por movimentos involuntários, desordenados e fraqueza muscular.
Deve-se realizar o diagnóstico com base na aplicação clínica dos Critérios de Jones modificados, que exigem a presença de dois critérios maiores ou de um critério maior associado a dois menores, sempre acompanhados de evidência obrigatória de infecção estreptocócica anterior recente. Essa comprovação de infecção prévia é obtida por meio da elevação de títulos de anticorpos como a antiestreptolisina O (ASLO) ou anti-DNase B, ou ainda por cultura positiva de swab de orofaringe ou teste rápido de antígeno estreptocócico positivo.
