A inteligência artificial (IA) está revolucionando a radioterapia, transformando o cuidado ao paciente com câncer. Segundo uma declaração conjunta da AAPM e ESTRO, publicada na Radiotherapy & Oncology, a IA é peça-chave para inovação clínica e regulatória na área. O radio-oncologista Fábio Ynoe de Moraes destaca que a IA melhora eficiência, precisão e personalização dos tratamentos — desde o contorno automático de estruturas até o ajuste da dose em tempo real.
Um estudo na Nature mostrou que sistemas de IA podem gerar planos de radioterapia para câncer de próstata em menos de 5 minutos, com 92% de aceitação clínica. Entre os principais benefícios estão: redução no tempo de planejamento, segmentação automática com alta acurácia, padronização dos tratamentos, adaptação diária da dose e uso de dados clínicos e genéticos para tratamentos mais personalizados.
Tecnologias como redes neurais (CNN/U-Net), GANs, KBP e aprendizado por reforço já são utilizadas, além da combinação de IA com radiômica para prever resposta terapêutica e toxicidades. Isso permite proteger tecidos saudáveis e reduzir efeitos colaterais como mucosite e pneumonite.
No Brasil, porém, a adoção plena da IA na radioterapia enfrenta desafios como infraestrutura limitada, falta de profissionais capacitados, altos custos e ausência de diretrizes claras. Superar esses entraves exige investimentos em capacitação, tecnologia e validação clínica adaptada à realidade nacional.
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