ECG Módulo 8 | WiDoctor
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ECG Módulo 8

 

A seguir, os laudos dos exercícios do módulo 7:

Laudos

1) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 30⁰

Distúrbios de condução pelo ramo direito

 

2) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a – 10⁰

Bloqueio de ramo direito (BRD)

Distúrbios secundários da repolarização ventricular na parede anterosseptal

 

3) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 20⁰

Bloqueio de ramo esquerdo (BRE)

Distúrbios secundários da repolarização ventricular nas paredes lateral alta e apical

HVE?

 

4) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 10⁰

Sobrecarga atrial esquerda (SAE)

BRE

Distúrbios secundários da repolarização ventricular na parede lateral alta

 

 

 Este módulo será basicamente uma aula revisional. Inicialmente abordaremos o Bloqueio Divisional Anterior Superior Esquerdo (BDASE), antigo hemibloqueio anterior esquerdo, seguindo uma revisão sistemática de tudo o que já aprendemos até aqui. É muito importante que estes conceitos estejam bem assimilados, uma vez que iniciaremos, na próxima semana, um dos principais temas da interpretação eletrocardiográfica para o clínico: as síndromes coronarianas agudas.

 

Primeiro, recorde o sistema de condução ventricular. Conforme a figura abaixo, podemos notar que o ramo direito segue intacto, enquanto o ramo esquerdo é composto por três fascículos separados: (1) fascículo póstero-inferior, (2) fascículo ântero-superior e (3) fascículo ântero-medial. Podemos encontrar em alguns livros uma nomenclatura mais antiga: fascículo posterior esquerdo, fascículo anterior esquerdo e fascículo septal, respectivamente. O termo bloqueio divisional (ou hemibloqueio na nomenclatura mais antiga) se refere ao bloqueio de condução de apenas um desses fascículos. O principal efeito dos bloqueios divisionais sobre o ECG é o desvio de eixo.

 

 

Devido sua importância clínica, só abordaremos o Bloqueio Divisional Anterior Superior Esquerdo. A grande dica para identificar um BDASE é a presença de um grande desvio do eixo elétrico para a esquerda (geralmente desvios além de -45⁰). É também característico deste distúrbio o não crescimento da onda R na parede anterior (observar as derivações precordiais). Por ser um bloqueio intraventricular, não haverá alteração na duração do complexo QRS.

 

* Lembrete!

Se a onda R não cresce na parade anterior, podemos pensar em:

     1) Necrose
     2) BDASE
     3) BRE

 

Mas atenção: na presença de um eixo muito desviado para a esquerda, juntamente com o sinal das “orelhas de coelho” em V1 e onda S arrastada em V6, estamos diante da presença concomitante de um BDASE com um BRD.

 

 

 

OK. Agora podemos revisar todos os tópicos da interpretação inicial de um ECG. Se surgir alguma dúvida, retorne aos módulos anteriores para um estudo mais completo. Ao final, apresentaremos alguns exercícios para praticarmos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Onda P = Contração Atrial;

Complexo QRS = Contração Ventricular;

Onda T = Repolarização Ventricular (não há reposta mecânica; fenômeno estritamente elétrico).

 

Obs:

– ECG é registrado em papel milimetrado, sendo os menores quadrados de 1 mm;

– A altura e a profundidade de uma onda se medem em milímetros e representam medida de voltagem;

– O eixo horizontal representa tempo: cada pequena divisão representa 0,04s.

 

As áreas importantes a serem consideradas na interpretação do ECG são:

     1.       Frequência
     2.       Ritmo
     3.       Eixo
     4.       Hipertrofia
     5.       Infarto

 

Onda P

                – O ritmo é sinusal? Onda P positiva nas derivações da parede inferior (DII, DIII e aVF).

                – Existe sobrecarga atrial? Se amplitude maior que 2,5mm, há sobrecarga de AD; se largura maior que 0,10 segundos, há sobrecarga de AE – onda P melhor observada em DII e V1.

 

 

Intervalo PR

                – Revela o funcionamento do nó AV.

                – Valor de referência: entre 0,12 e 0,20 segundos (3 e 5 mm).

                – Se alargado, bloqueio átrio-ventricular (BAV); se diminuído, pré-excitação.

 

 

Paredes do Coração

                – Parede inferior: DII, DIII e aVF

                – Parede lateral alta: DI e aVR

                – Parede anterosseptal: V1, V2, V3 e V4  ——- Parede anterior

                – Parede apical: V4, V5 e V6      ——————-  Parede anterior

 

                – Derivações esquerdas: V5, V6, DI e aVL

                – Derivações direitas: V1, V2 e V3

 

Complexo QRS

                – Nomenclatura: R é a onda positiva; S é a onda negativa (se for a primeira do complexo, chama-se onda Q).

                – QRS normal: (1) é estreito (até 0,10 seg), (2) R cresce de V1 a V6 (transição elétrica), (3) V1 (rS) e V6 (qR).

 

 

Eixo Elétrico

                – Deve estar no 1º quadrante: QRS positivo em DI e positivo em aVF.

                – Alguns autores consideram normal um desvio até -30º: se QRS negativo em aVF, observar a derivação DII (se QRS negativo, eixo desviado para a esquerda).

                – Para determinação mais exata: observar o complexo QRS isodifásico (é a derivação perpendicular ao eixo elétrico) e o QRS com maior projeção positiva (revela a direção do eixo).

               

 

Bloqueio de Ramo Esquerdo

                – Alargamento global do QRS;

                – Alterações na onda T;

                – Manutenção da transição elétrica.

 

Bloqueio de Ramo Direito

                – Alargamento do QRS (preferencialmente em sua porção terminal);

                – Alterações na onda T;

                – Transição elétrica subvertida;

                – Meseta de aVR e sinal das “orelhas de coelho” em V1.

     

 

    HVE

                – Índice de Sokolow-Lyon: V1 ou V2 (maior S) + V5 ou V6 (maior R)  35 mm (7 quadrados);

                                * Atenção: isoladamente, não é critério para HVE.

                – Sobrecarga sistólica: infra ST + T negativa e assimétrica (observar as derivações esquerdas: V5, V6, DI e aVL);

                – Sobrecarga atrial esquerda;

                – Eixo para a esquerda.

 

 

     HVD

                – Crescimento da onda R em V1 (R  S);

                – Sobrecarga sistólica nas derivações de VD (V1, V2 e V3);

                – Sobrecarga atrial direita;

                – Eixo para a direita.

 

 

Exercícios

1)

 

 

2)

 

 

3)

 

 

4)

 

 

5)

 

 

6)

 

 

7)

 

 

8)

 

 

9)

 

 

10)

 

 

11)

 

 

12)

 

 

13)

 

 

14)

 

 

15)

 

 

 

Laudos

1) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 60⁰

ECG normal

 

2) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 60⁰

Sobrecarga atrial direita (SAD)

Distúrbios secundários da repolarização ventricular na parede lateral alta

 

 

3) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 20⁰

SAE

HVE com sobrecarga sistólica

Distúrbios secundários da repolarização ventricular na parede inferior

 

4) Taquicardia sinusal

FC: 105 bpm

Eixo a + 80⁰

5) Ritmo sinusal

FC: 75 bpm

Eixo a – 60⁰

SAE

HVE com sobrecarga sistólica

BDASE

 

6) Ritmo sinusal

FC: 100 bpm

Eixo a – 60⁰

BDASE

 

7) Bradicardia sinusal

FC: 58 bpm

Eixo a x

SAE

 

 

8) Taquicardia sinusal

FC: 140 bpm

Eixo a + 130⁰

SAD

HVD com sobrecarga sistólica

9) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 120⁰

SAE

HVD com sobrecarga sistólica

Distúrbios secundários da repolarização ventricular na parede inferior

 

10) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 90⁰

SAE

HVD com sobrecarga sistólica

 

 

11) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a +-50⁰

BRD

BDASE

 

12) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a – 20⁰

BRE

Distúrbios secundários da repolarização ventricular nas paredes lateral alta e apical

 

13) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a – 10⁰

BRE

Distúrbios secundários da repolarização ventricular nas paredes lateral alta e apical

HVE?

 

14) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a + 70⁰

BRD

 

15) Ritmo sinusal

FC x bpm

Eixo a – 60⁰

BDASE

 

 

 

 

 

Sobre Igor Torturella

Acadêmico de medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

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