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Tratamento para hepatite C com cirrose: Atualizações

Publicado há alguns dias no Gastroenterology, um estudo baseado em observação analisou as repercussões hemodinâmicas após a resposta virológica sustentada (RVS) em pacientes com hipertensão portal clinicamente significativa (gradiente de pressão venosa hepática > 10 mmHg). Além disso, os autores também investigaram se avaliações de rigidez hepática podem descartar a presença dessa condição.

No estudo, verificou-se a presença do vírus da hepatite C em indivíduos que, inclusive, apresentavam cirrose para introduzi-los na análise de maneira a submetê-los à terapia antiviral oral livre de interferon em seis unidades hepáticas localizadas na Espanha. Como critérios de inclusão foram considerados presença de hipertensão portal clinicamente significativa (dentro de seis meses antes do tratamento antiviral oral) e obtenção da RVS.

Lembrando que a RVS é o estágio o qual o paciente permanece indetectável (negativo) na carga viral seis meses após o final do tratamento com terapia antiviral. Esse dado é obtido após o exame que determina a carga viral e é considerada a cura da hepatite C.

O sexo masculino representou a maioria dos pacientes (53%) e, com uma faixa de 40 a 83 anos, a média de idade foi de 60 anos. Em geral, o gradiente de pressão venosa hepática diminuiu após a RVS. A hipertensão portal com relevância clínica, contudo,  persistiu em 78% dos casos. Notou-se, ainda, que  o gradiente de pressão venosa hepática reduziu ≥10% em relação à linha de base em 140 pacientes (62%). O único fator negativo foi o nível basal de albumina < 3,5 g/dL, associado à redução do gradiente de pressão venosa hepática de 10% ou mais.

A avaliação também registrou diminuição de rigidez hepática. Boa parcela dos pacientes – cerca de um terço – que apresentaram essa redução na avaliação de rigidez hepática após a RVS ainda apresentava hipertensão portal clinicamente significativa.

Um maior gradiente de pressão venosa hepática na linha de base e menor diminuição na avaliação de rigidez hepática após o tratamento foram associadas à persistência de hipertensão portal clinicamente significativa após RVS.

Após a RVS, a hemodinâmica sistêmica melhorou. A hipertensão pulmonar – de maneira curiosa – se fez presente em 13 pacientes na linha de base e em 25 após a RVS, embora apenas três pacientes tenham aumentado a resistência pulmonar. A RVS, ainda, provocou diminuição do gradiente de pressão venosa hepática de modo significativo, em comparação com o período anterior ao do tratamento. A hipertensão portal clinicamente significativa, por sua vez, persistiu na maioria dos pacientes apesar da RVS, indicando risco de descompensação.

O estudo concluiu, nesse contexto, que a RVS para regimes antivirais orais está relacionada à diminuição na pressão portal em pacientes com hipertensão portal clinicamente significativa na linha de base. Ainda que tenha ocorrido esta redução, na maioria dos pacientes a hipertensão portal clinicamente significativa se manteve – cerca de 80% – tendo a possibilidade de estar relacionada a um risco persistente de eventos ligados ao fígado durante um período de tempo não delimitado.

Fonte: Gastroenterology

Autor: Rafael Kader

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