SEPSE – Parte 5 – Exames Complementares e Critérios Diagnósticos | WiDoctor
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SEPSE – Parte 5 – Exames Complementares e Critérios Diagnósticos

  • Celso Alves Neto
  • 12/11/2014

    

     Hoje abordaremos, de modo simples, os exames complementares e os critérios diagnósticos de SEPSE. Muita atenção nesses aspectos de grande importância! Seja bem vindo!

     O diagnóstico de sepse não pode ser feito por um exame específico. Dessa forma, dar atenção à clínica e realizar um exame físico minucioso é a chave para o êxito diagnóstico. Assim, diante dos critérios de sirs, somando-se a suspeita de infecção presumida ou diagnosticada estamos muito próximo de fechar o quadro de sepse.

     Recordar nunca é demais: SEPSE: infecção documentada ou presumida + algum dos seguintes achados:

  • Temperatura: < 36 OU >  38º C;
  • Taqucardia: FC > que 90 bpm;
  • Taquipneia: FR > que 20 irpm OU PCO2 < 32 mmHg OU necessidade de ventilação mecânica desencadeada por processo agudo.
  • Contagem leucocitária: > 12.000 OU < 4.000 leucócitos OU mais que 10% de formas imaturas (bastonetes).

 

Então quais seriam os exames COMPLEMENTARES?

 

 

  •      Marcadores precoces de infecção: os mais utilizados são Proteína C reativa ( de fase aguda) e a procalcitonina, que geralmente ultrapassam mais de 2 vezes os valores normais. Procalcitonina é mais sensível, mais específica e tem melhor acurácia.
  •     Hiperglicemia: é comum, refletindo ação contrarreguladora de hormônios, tais como glucagon, cortisol e epinefrina.
  •     CIVD: queda dos níveis séricos de fibrinogênio, redução do número de plaquetas, aumento de D-dímeros, alargamento de TTPA e TP.
  •     Lactato: venoso central ou arterial é um ótimo indicador da gravidade da doença ou melhora da mesma. De acordo com o novo protocolo de sepse, deve-se normalizar o valor do lactato nas primeiras 6 horas.
  •    Gasometria arterial: há hiperventilação, logo, inicialmente, encontra-se de maneira precoce uma alcalose respiratória. Evolui-se para acidose respiratória com a piora progressiva da disfunção microcirculatória. Se não está ocorrendo um edema pulmonar cardiogênico e a PaO2/FiO2 <300, isso indica uma síndrome do desconforto respiratório agudo.
  •    Saturação venosa central de O2 (SvcO2): corrigir quando estiver abaixo de 70%. Fique atento, pois ainda que haja uma importante hipoperfusão tecidual os valores de SvcO2 podem estar próximo do normal (>70%).
  •     Se houver LEUCOPENIA deve-se atentar para um pior prognóstico, já que essa ocorre mais frequentemente em infecções mais graves.
  •      Excesso de bases (BE): seus valores seriados são úteis na monitorização da reposição volêmica, pois mantém uma boa relação com a presença e a gravidade do choque séptico.
  •    Marcadores cardíacos: peptídeo natriurético cerebral (BNP) e troponina. Indicam pior prognóstico.
  •      ECG e RX de tórax: devem ser realizados em TODOS os pacientes.
  •      Outros exames devem ser realizados de acordo com a suspeita clínica.

 

No próximo post encerraremos o bloco de SEPSE, no qual falaremos rapidamente sobre o Diagnóstico Diferencial e daremos ênfase ao tratamento. Continue conosco!

 

 Celso Neto

 

Bibliografia

 

1. Sociedade Brasileira de Infectologia

2. Revista Brasileira de Terapia Intensiva

3. International Guidelines for Management of Severe Sepsis and Septic Shock

4. MARTINS, Herlon Saraiva et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014.

5. Protocolo de Atenção à Saúde – SEPSE no Adulto. Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte.

 

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