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Estudo verifica que TDAH tem bases neurobiológicas

Em estudo realizado por pesquisadores identificou que pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH – apresentam modificações na estrutura cerebral em áreas específicas ligadas às emoções.

TDAH  é uma doença que afeta cerca de 5% das crianças, acompanhando em muitos casos o indivíduo até a vida adulta. Se manifesta como desatenção, agitação e impulsividade. Muitos duvidam que a condição seja real, mas o maior estudo já conduzido sobre o tema, por médicos e cientistas de 23 centros de pesquisa ao redor do mundo, revelou que o transtorno tem bases neurobiológicas e pode ser tratado.

Avaliou-se 3 mil pessoas separadas entre pacientes saudáveis e com TDAH, entre 4 e 63 anos, que foram submetidos a exames de neuroimagem estrutural por Ressonância Magnética – técnica a qual possibilita o estudo detalhado do cérebro. Foram avaliadas informações específicas de cada região cerebral, como tamanho e volume, padronizadas através do mesmo protocolo. Nesse contexto, os pesquisadores puderam comparar cada uma das estruturas cerebrais de indivíduos com e sem o transtorno.

Os resultados revelaram que estruturas como a amígdala cerebral, acúmbens e hipocampo, responsáveis pela regulação das emoções, motivação e o chamado sistema de recompensa (que modifica nosso comportamento através de recompensas) são menores nos pacientes com TDAH. Quando se levou em conta a idade dos pacientes, observou-se que estas alterações são mais leves em pacientes adultos, o que sugere que existe uma compensação, ao menos parcial, com o passar dos anos. Esses resultados são a sustentação mais sólida até o momento que o TDAH é um transtorno relacionado ao atraso na maturação de regiões cerebrais reguladoras das emoções.

Os resultados, então, foram de extrema importância para demonstrar a real gravidade da doença, que não é apenas algo inventado por médicos nem resultado de uma má criação dos pais.

Foi o primeiro estudo de relevância no assunto pelo número de indivíduos participantes, pois, até então, estudos anteriores também haviam identificado algumas alterações cerebrais do TDAH, mas devido ao pequeno número de pacientes estudados, era difícil generalizar os resultados. 

Foi descartado pela pesquisa, também, a possibilidade de que tais modificações ocorressem devido ao uso de medicamentos para tratamento do TDAH ou à presença de outros distúrbios de saúde associados ao transtorno, como ansiedade e depressão.

Assim, pode-se verificar a necessidade de tratamento adequado para o TDAH, que é um transtorno do desenvolvimento associado a alterações no nossa arquitetura do cérebro.

Fonte: The Lancet Psychiatry

Autor: Rafael Kader

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