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Critérios diagnósticos da esquizofrenia

A esquizofrenia é um distúrbio psiquiátrico que acomete cerca de 4 pessoas para cada 1.000 indivíduos em todo o mundo. A doença provoca não só grande prejuízo das funções ocupacionais e sociais do paciente como também está associada a uma maior mortalidade. Isto se deve à maior incidência de uso substâncias, suicídio e morte por causas externas nesta população, além das dificuldades em tratar as eventuais comorbidades do paciente esquizofrênico.

A doença é mais comum em homens e geralmente começa a se manifestar durante a adolescência ou na primeira metade da terceira década de vida. Os pacientes que abrem o quadro da doença antes disso apresentam maior risco de desenvolver esquizofrenia de difícil controle. Vale ressaltar também que a esquizofrenia é uma doença multifatorial em que o componente genético possui uma grande participação.

Os achados da doença são delírios (de controle, de perseguição, de referência, de grandiosidade, etc.), alucinações (geralmente auditivas; se visuais, considerar outras hipóteses), fala e comportamento desorganizados, negligência do cuidado pessoal (aparência descabelada, roupas sujas…), sinais de catatonismo, etc. Além disso, podem haver manifestações de sintomas negativos, que são fatores de mau prognóstico. São eles: avolia, anedonia,  isolamento social,  embotamento afetivo…

O diagnóstico da esquizofrenia segundo o DSM IV TR requer:

A. Sintomas Característicos: Pelo menos dois dos seguintes, cada um presente por um espaço significativo de tempo durante um período de um mês (ou menos, caso tratado com êxito):
(1) delírios
(2) alucinações
(3) fala desorganizada (ex., descarrilhamento freqüente ou incoerência)
(4) comportamento totalmente desorganizado ou catatônico
(5) sintomas negativos, ou seja, embotamento afetivo, alogia ou avolição

        (Nota: apenas um sintoma A é necessário se os delírios são bizarros ou as alucinações consistem de uma voz mantendo um comentário sobre o comportamento ou pensamentos da pessoa ou duas ou mais vozes conversando entre si).

B. Disfunção Ocupacional/Social: Durante um espaço significativo de tempo, desde o início do distúrbio, uma ou mais áreas principais de funcionamento como trabalho, relações interpessoais ou auto-cuidado encontram-se significativamente abaixo do nível atingido antes do início (ou quando o início ocorre na infância ou na adolescência, fracasso em atingir o nível esperado de desempenho interpessoal, acadêmico ou ocupacional).

C. Duração: Sinais contínuos do distúrbio persistem no mínimo durante seis meses. Este período de seis meses deve incluir pelo menos um mês com os sintomas que satisfazem o critério A (ou seja, sintomas da fase ativa) e podem incluir períodos prodrômicos e/ou residuais quando o critério A não é plenamente satisfeito. Durante esses períodos, os sinais do distúrbio podem ser manifestados por sintomas negativos ou por dois ou mais sintomas listados no critério A presentes em uma forma atenuada (ex., a duração total dos períodos ativo e residual).

D. Distúrbio esquizoafetivo e Distúrbio de Humor com Características Psicóticas foram descartados devido a: (1) nenhum episódio significativo depressivo ou maníaco ocorreu simultaneamente com os sintomas da fase ativa; ou (2) se episódios de humor ocorreram durante o episódio psicótico, sua duração total foi breve em relação à duração do episódio psicótico (ou seja, à duração total dos períodos ativo e residual).

E. Exclusão de Substância/Condição clínica geral: O distúrbio não é devido a efeitos fisiológicos diretos de uma substância (ex., uma droga de abuso, uma medicação) ou uma condição clínica geral.

F. Relacionamento a um Distúrbio Global do Desenvolvimento: Se há uma história de Distúrbio Autístico ou um Distúrbio Global do Desenvolvimento, o diagnóstico adicional de Esquizofrenia é estabelecido apenas se delírios ou alucinações proeminentes também encontram-se presentes durante pelo menos um mês (ou menos, caso o tratamento tenha êxito).

Fonte: Meltzer HY, Bobo WV, Heckers SH, Fatemi HS. Chapter 16. Schizophrenia. In: Ebert MH, Loosen PT, Nurcombe B, Leckman JF. eds. CURRENT Diagnosis & Treatment: Psychiatry, 2e. New York, NY: McGraw-Hill; 2008.

 

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