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AVC: Novidades no tratamento

Segunda causa de morte no Brasil e no mundo e a principal casa de incapacidade funcional, o Acidente Vascular Cerebral (AVC), apesar de ser uma doença que possui tratamento, é uma emergência médica. É isquêmico em 80% dos casos: isso quer dizer que é causado por obstrução do fluxo sanguíneo de uma artéria que leva o sangue a alguma região do cérebro. Quando isso acontece, os neurônios e demais células da área nervosa afetada tornam-se privados de nutrientes e de oxigênio. Assim, por minuto 1,9 milhão de neurônios morrem.

Nesse contexto, é essencial o tratamento rápido diante de um paciente com quadro de AVC. Pode ser realizado com administração intravenosa de fármacos trombolíticos no intuito de dissolver coágulos que entopem as artérias cerebrais. Pelo risco de sangramento, esse tratamento só pode ser dado até quatro horas e meia do início dos sintomas. Os remédios, contudo, não são tão eficazes quando utilizados de maneira solitária se a obstrução acontece em uma artéria de maior calibre.
A novidade é que, recentemente, uma nova modalidade de tratamento para o AVC está disponível e tem se mostrado bastante eficaz na recanalização das artérias cerebrais e na redução de sequelas do AVC. O cateterismo cerebral, nomeado também como tratamento Endovascular ou Trombectomia Mecânica, consiste na introdução de um microcateter nas artérias de membros inferiores (pernas) e seu avanço por dentro desses vasos até alcançar a área obstruída do cérebro.
Foi constatado por estudos de 2015 que esse tratamento tem capacidade de abrir até 80% dos vasos ocluídos. Reflete ótimos resultados muito por conseguir desentupir grandes artérias cerebrais, sendo, portanto, uma alternativa terapêutica quando o trombolítico endovenoso não resolve o problema.

No final do mês de maio de 2017, entretanto, o médico brasileiro Raul Nogueira, professor da Emory University, em Atlanta, nos Estados Unidos, apresentou resultados de ensaio clínico denominado Dawn, no Congresso Europeu de AVC, em que dividiu em dois grupos 206 pacientes com AVC. O tratamento foi iniciado para os envolvidos no estudo entre seis e 24 horas do início dos sintomas. Os doentes apresentavam uma obstrução de uma artéria cerebral de grande calibre e um AVC relativamente pequeno nos exames de neuroimagem. Após três meses do AVC, 48,6% das pessoas submetidas a Trombectomia Mecânica estavam funcionalmente independentes, enquanto apenas 13,1% do grupo tratado com tratamento clínico padrão encontrava-se nessa situação. Corresponde, desse modo, a um aumento relativo de 73% na chance de bom prognóstico com o procedimento endovascular, se comparado à terapia padrão clínica tradicional no contexto global da medicina.

Vale ressaltar, ainda, que o professor alertou sobre a Trombectomia Mecânica não poder ser realizada em qualquer paciente com AVC. É indicado apenas para pacientes com obstrução de artérias de grande calibre e com boa circulação colateral sanguínea. No Brasil, mesmo com a aprovação de seu uso pela Anvisa, ainda não é reembolsado adequadamente pelo Sistema Único de Saúde, já que o Ministério da Saúde afirma que o procedimento ainda está em fase de avaliação nacional.

Fonte: Jornal da USP

Autor: Rafael Kader

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